Como o post anterior foi bem recebido e tem ajudado alguns viajantes, vou continuar com o detalhamento das minhas viagens de férias. Desta vez a a viagem em família foi para a Cidade do México. Passamos uma semana por lá, entre os dias 23 e 28 de julho de 2025.
Compramos as passagens com milhas + dinheiro na Latam. Pegamos uma boa promoção que valeu a pena, especialmente por ser voo direto. O voo de ida foi diurno, o que complica mais ainda para pegar no sono. Na ida foram pouco mais de nove horas de voo e na volta oito horas e trinta.
Pegamos um hotel na região da avenida Reforma, na Rua Liverpool. Gostamos muito da localização pois fica perto da estação Insurgentes do metrô. Pegamos o NH Collection Mexico City Reforma, que tem um bom café da manhã e um quarto de tamanho bom, mas as camas de casal são pequenas. Esse hotel é um pouco mais caro que os demais, mas como consegui desconto pelo programa de fidelidade do Hoteis.com valeu a pena.
Visto para entrar no México
Foi o único e grande complicador da viagem. Para entrar no México os brasileiros precisam de visto. O visto americano é aceito desde que sua validade cubra toda a viagem. Caso não tenha o visto americano (ou algum passaporte europeu que elimina essa exigência) se prepare para o desafio de tirar o visto mexicano. Como um de nós estava com o visto americano vencido, precisávamos tirar o mexicano.
O agendamento do visto é feito pelo site da Secretaria de Relações Exteriores do México. É necessário criar um cadastro simples e acessar a área de agendamento. Fizemos o agendamento para a Embaixada do México em São Paulo.
O sistema é muito ruim, com problemas de acessibilidade, usabilidade e instabilidade. Na parte do calendário de agendamento, para cada dia que você seleciona para ver os horários disponíveis precisa resolver um CAPTCHA. Mesmo assim fiz o agendamento para entrevista com mais de 20 dias de antecedência da nossa viagem. O que poderia dar errado?
No dia da entrevista levamos diversos documentos listados na página com exigências para visto. Chegamos no dia e hora marcados. Na calçada você é recebido por um segurança que faz questão de mostrar seu poder diante dos que estão aguardando. “Ai fora é Brasil e aqui dentro é México” e “Se pegarem seus celulares lá dentro podem ser expulsos sem atendimento ou ter o visto negado” foram algumas das frases repetidas diversas vezes por ele.
Lá dentro existe uma triagem em guichês com vidros escuros. Presenciamos a recusa de atendimento de várias pessoas por diversos motivos: falta de documento e falta de comprovante de renda foram os principais.
Quando chegamos ao guichê para atendimento entregamos todos os documentos, porém meu erro foi levar a cópia autenticada para certidão de casamento. Documentos autenticados não são aceitos pelo consulado. Recusaram nossa entrevista e disseram para reagendar, porém não havia data disponível antes da viagem. Foi aí que começou nosso martírio.
Pediram para mandar e-mail para o “fale conosco” do consulado. Mandei diversas mensagens e nunca me responderam. Ligar lá também não adianta. Caímos até em golpe na internet de gente que disse que nos ajudaria, mas isso é uma longa história e fica para a próxima. Diversas informações importantes só estão disponíveis no local. Por exemplo, só dizem que podem abrir novos agendamentos no sistema as quintas-feiras a partir das 15:00 em uma placa colada na parede do lado de fora do consulado.
Tentei entrar no sistema de agendamentos para verificar a disponibilidade em vários dias, mas quando entrava muitas vezes no mesmo dia o sistema bloqueava o acesso por 24 horas por “atividade suspeita”.
Consegui ajuda com a empresa Aprova Visto que conseguiu a entrevista de emergência para cinco dias antes da viagem e só paguei pela ajuda depois de conseguir o agendamento.
A profissional da empresa nos deu diversas orientações, desde cuidados para ter durante a entrevista até documentos adicionais para levar por garantia. A lista de documentos que levei foi a seguinte:
- Passaportes de todos os viajantes
- Vistos americanos dos demais viajantes
- Cópia dos passaportes, vistos e carimbos das últimas viagens
- Confirmação de agendamento
- Formulário de solicitação preenchido e com foto
- Foto 3×4 dos demais viajantes
- Comprovantes de residência
- Cópias do RG, da carteira de trabalho, da certidão de casamento, da certidão de nascimento do filho e cópia da escritura do imovel
- Declaração de escolaridade do filho
- Documentos originais (escritura do imóvel, carteira de trabalho, RGs, carteira de estudante, certidão de casamento civil e religioso, certidão de nascimento do filho)
- Passagens e reserva de hotel
- Holerites (6 últimos meses)
- Carta de declaração de vínculo empregatício
- Extratos bancários dos últimos 6 meses
No dia da segunda ida ao consulado em São Paulo o procedimento foi o mesmo com o segurança e com a triagem. Nem todos os documentos que levamos foram pedidos. Dessa vez passamos da triagem e seguimos para a entrevista. Primeiro é necessário pagar uma taxa de US$ 52,00. Pagamos por PIX lá dentro. Essa foi a única hora que pudemos pegar o celular. Depois de uma entrevista rápida e pouco amigável e algumas horas de espera pegamos o visto. Nesse intervalo pudemos presenciar uma série de negativas. Entendo que os consulados precisam ter cuidado na aprovação de vistos, mas fiquei surpreso com o tratamento com o público.
Foi um processo desgastante, com um atendimento ruim que nos fez até questionar se ainda queríamos ir ao México. Só ficamos tranquilos depois que passamos pelo oficial de imigração que carimbou nossos passaportes no aeroporto da Cidade do México .
Ainda bem que não desistimos, pois o México (e os mexicanos) fazem esse esforço valer a pena.
Dinheiro
Nesse post vou colocar os valores na moeda local, o peso mexicano (MXN), que na cotação da época, 1 peso mexicano vale 0,30 reais. Para saber rapidamente os valores aproximados em reais eu dividia o valor por três (MXN$900,00 seriam aproximadamente R$300,00).
Levei cartões de crédito, mas só usei o cartão de débito Nomad. Mesmo com o aumento do IOF vale mais a pena do que o cartão de crédito. Neste link você abre a conta e tem desconto na primeira conversão de moeda.
Apesar de ser amplamente aceito, é bom andar com um pouco de moeda local. Diversas lojas de souvenir davam desconto para compra em dinheiro. Com esse cartão de débito dá para sacar dinheiro em caixas eletrônicos (o único saque que fiz cobrou aproximadamente MXN$110,00 de taxa).
Nem todos os passeios foram comprados antes de chegar na Cidade do México. Esse foi mais um dos motivos que tivemos que sacar dinheiro.
Deslocamento na Cidade do México
A Cidade do México é uma das maiores cidades do mundo. São mais de 22 milhões de habitantes e uma enorme frota de veículos. O trânsito da cidade faz São Paulo parecer uma cidade do interior. É bom se planejar para se deslocar pela cidade. Lá também existe rodízio de veículos, que dependendo do dia da semana e do final da placa do carro o veículo não pode circular. Somente veículos com placas especiais tem autorização para circular todos os dias da semana.
Na chegada optamos por pegar um taxi pago dentro do aeroporto. A corrida até o hotel custou aproximadamente MXN$500,00. Achei caro, comparado com as demais corridas que fizemos pela cidade, mas foi o preço do cansaço.
O transporte público é uma excelente solução. O metrô cobre a cidade toda e custa MXN$ 5,00 por entrada. É necessário comprar um cartão por MXN$15,00 e depois é só recarregar quando precisar. Você só paga quando entra no metrô e pode usar por quantas linhas e estações quiser. Compramos apenas um cartão e passamos as três passagens nele sem problemas.
Li muito sobre cuidados com deslocamento na cidade, então mantive a mochila na frente e atenção aos bolsos (o mesmo que faço ao andar de metrô em São Paulo). Também li que o metrô costuma ser lotado, mas creio que devido ao período de férias escolares não pegamos muito cheio. Não tive problemas e me senti bem seguro usando o metrô.
Existe também um serviço chamado MetroBus, com faixas exclusivas nas avenidas, mas esse não chegamos a pegar.
Também é possível andar de Uber. Dependendo da distância e do trânsito os valores eram até justos.
Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe
Como não sabíamos se o visto mexicano daria certo, evitamos comprar passeios com antecedência, e a visita a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe foi uma delas. Perguntamos no hotel como poderíamos contratar um guia para nos levar lá e ele nos indicou o Sr. Sérgio, um guia turístico que trabalha com seu próprio carro que tem licença para rodar na cidade todos os dias da semana.
O valor cobrado foi de MXN$1.200 para nos levar até a Basílica, explicar o que há lá e voltar. Ele não tinha como cobrar por cartões, então o pagamento teve que ser feito em dinheiro (por isso o saque no caixa eletrônico). Seria um passeio de aproximadamente três horas. Considerando os valores do mesmo passeio em sites como Civitatis, que cobrava em torno de R$ 300,00 por pessoa, achamos válido fechar com o Sr. Sérgio.
Foram aproximadamente 10km entre nosso hotel e a Basílica, com a vantagem das explicações de pontos turísticos e histórias durante todo o percurso. Ele estacionou dentro da Basílica. Saímos na frente de uma loja de souvenirs (mais cara que as do lado de fora, mas que segundo as placas, ajuda na manutenção da Basílica).
Depois fomos para a praça central para o Sr. Sergio nos contar a história da imagem impressa no tecido da roupa de Juan Diego, sobre o afundamento da Basílica antiga e sobre a construção da nova. Nos contou detalhes sobre o atentado contra a imagem e passou por várias salas para finalmente chegar perto da imagem por uma esteira rolante. Tem até um padre que fica abençoando os fiéis do lado de fora da Basílica principal.
É possível visitar a Basílica de metrô e a entrada é gratuita. Para nós valeu a pena ter pego um guia com tanta experiência. Na volta ele nos deixou em frente ao Museu de Antropologia, onde seria nosso segundo passeio.
Museu de Antropologia
Um dos museus mais legais que já visitei. Lá está parte da história da humanidade das américas antes da chegada dos europeus. Dentre os destaques estão a famosa Pedra do Sol Asteca (que muitos confundiam com o calendário Maia) e a réplica do Cocar de Montezuma (o original está em um museu na Suíça).
Compramos os ingressos com antecedência pelo site do museu. Vale a pena comprar com antecedência para evitar as filas na bilheteria, que estavam grandes quando chegamos. O ingresso custa MXN$100,00 e vale para entrada em qualquer hora do dia.
Teotihuacán
Passeio incrível para conhecer a região de Teotihuacán, onde estão localizadas as ruínas e pirâmides. Esse sítio arqueológico tem mais de dois mil anos e está muito bem preservado.
Esse passeio compramos com antecedência pela Civitatis por R$300,00 por pessoa. O passeio inclui transporte por ônibus, ingressos e guia explicando tudo. A visita foi muito legal e o guia muito cuidadoso e preparado, mas o passeio de ônibus é incomodo, pois você fica preso ao roteiro e a pessoas que se atrasam e atrapalham o grupo todo.
O almoço foi em um restaurante definido pela empresa, próximo ao sítio arqueológico. Foi um almoço muito bom e com bastante variedade, mas que deve ser pago a parte do passeio.
Xoximilco
Xiximilco é uma região da Cidade do México com canais e embarcações para passear. É um local muito frequentado para celebrar festividades. Durante o passeio, outros barcos passam por perto vendendo comida e bebidas e outros com grupos de mariachi tocando.
Esse foi outro passeio que não compramos com antecedência e negociamos com o Sr. Sergio na porta do hotel. Os passeios que vimos na internet custavam em torno de R$300,00 por pessoa (com passeio e alimentação sem transporte até o local). Conversamos com Sr. Sérgio que nos faria MXN$1.800 de transporte e guia e teríamos que pagar MXN$750,00 pelo barco (não por pessoa) para uma hora de passeio. Valeu a pena, pois são mais de 27km de distância do hotel até lá.
Na volta ainda passamos pelo Estádio Asteca para fazer uma foto em frente do cenário do tricampeonato da seleção brasileira de futebol.
Tours a pé
Fizemos dois “Free Walking Tours” pela cidade. Um no centro da cidade começa em frente da Catedral Metropolitana da Cidade do México e outra em Coyoacán, que termina na casa onde morava a Frida Khalo.
Os passeios são legais e os guias são ótimos e conhecem muito bem a história da cidade. O problema é que os tours previstos para duas horas duraram duas horas e trinta o primeiro e quase três horas o segundo. Para alguém que trabalha sentado o dia todo, uma caminhada de mais de duas horas é bem cansativo.
Depois de um desses passeios visitamos o Museu da Tequila e Mezcal. É barato, você ganha uma dose para degustação, mas não vale a pena como passeio. É muito pequeno e com pouca informação relevante.
Lucha Libre
Foi a grande surpresa desse passeio. Peguei a dica em sites de viagens e compramos os ingressos com antecedência (logo depois que tivemos o visto aprovado).
Existem duas arenas de Lucha Libre na Cidade do México: A Arena México e Arena Coliseo. Compramos para a Arena México, que fica 2km do hotel que estávamos. Fomos de Uber e deu MXN$49,97. Descemos na avenida principal e andamos duas quadras a pé para evitar o trânsito em frente da arena.
A compra dos ingressos é feita pela Ticketmaster mexicana. Não existe aplicativo no Brasil, então você precisa fazer pelo site mesmo. Assisti diversos vídeos com dicas para escolher os melhores lugares, mas o melhor e que ajudou a escolher os lugares foi esse de Crir Spirit no TikTok.
As orientações do vídeo foram ótimas, recomendando evitar as arquibancadas verdes, azuis e vermelhas. O lado laranja fica de frente para a entrada dos lutadores e dessa área é possível ver todos os movimentos quando eles saem do ringue (ou quando são jogados para lá).
Porém, ficar na parte mais próxima ao ringue dá uma visão limitada, já que as cadeiras estão abaixo dos lutadores. Você pode perder principalmente os movimentos no solo.
No vídeo o rapaz sugere a parte das grades, as mais altas e distantes do ringue. Parece absurdo, mas é possível ver a luta de qualquer lugar, e quanto mais distante e alto melhor.
Pegamos os assentos na seção N3 (logo acima da laranja). O ideal é tentar pegar os assentos mais próximos a divisória da parte inferior e superior, de preferência fila A. Ficamos na fileira D e deu para ver tudo muito bem. Na fileira D as pessoas ainda passam na sua frente, mas na fileira A não tem erro. Pelo que vi, os melhores lugares são na parte superior, N5 e N4 e depois N3 e N6 (de preferência fileira A, mas da fileira D conseguimos ver tudo muito bem).
Pegar Uber de volta foi mais complicado devido a quantidade de pessoas que saíram ao mesmo tempo. O Uber custou MXN$69,95.
Compras
Existem lojas de artesanato em todo lugar. As que fazem os melhores preços são as de Xiximilco. Em segundo lugar em preços está o Mercado de Artesanias La Ciudadela. Nas ruas também tem muitas barracas com souvenirs, mas as próximas a pontos turísticos (como em frente a Catedral Metropolitana) são mais caros. Levar dinheiro em espécie é bom para conseguir um desconto.
Na região da Reforma tem o Mercado Insurgentes, com muitas lojas de artesanato. É um pouco mais caro que os anteriores, mas tem muita coisa legal.
Para comprar tequila e mezcal nos foi recomendado a Bodegas Alianza, que tem em vários endereços na Cidade do México. As bebidas são mais baratas que nos supermercados, com mais variedade e algumas com boas promoções.
Comida
Nosso desafio era atender todos os gostos, pois eu sou fanático por comida mexicana e os demais nem tanto. No primeiro dia fomos no Angus Reforma, restaurante de carnes. Era perto do hotel e não tínhamos almoçado. Comemos uma prancha de carnes variadas que servia tranquilamente três pessoas. Acompanhava tortilha, guacamole e duas cervejas. Tudo saiu por volta de MXN$1.000.
Depois do tour a pé pelo centro comemos no La Capilla, um restaurante que serve, além de comida mexicana, grelhados e filés. O almoço para os três também saiu em torno de MXN$1.000.
Nos restaurantes na Cidade do México o serviço não está incluso e é costume dar entre 10% a 15% de gorjeta.
Descobrimos um lugar chamado Pizzantástica, que faz pizzas individuais que você monta sua própria pizza, por aproximadamente MXN$130,00 cada. Foi a salvação para economizar um pouco.
Também visitamos o Terraza Catedral, um bar rooftop que dá uma ótima vista para a Catedral Metropolitana. Dá para comer e beber bem lá, mas não é barato. Tomei lá um Negroni com Mezcal delicioso.
A região da Reforma tem de tudo, de fast food mexicano até as redes tradicionais. Dá para atender todos os gostos.
Percebemos muita gente em barracas de comida de rua, especialmente pessoas que trabalham nos escritórios do bairro da Reforma. Os preços são bem mais em conta do que nos restaurantes, mas não arriscamos comer.
Segurança
Li bastante sobre a segurança na Cidade do México e também conversamos com algumas pessoas quando chegamos. Percebemos muitas pessoas vivendo nas ruas, pedindo dinheiro ou limpando vidros de carros nos semáforos, porém não tivemos nenhum problema.
Na ida para Xoximilco guias nos abordavam para vender passeios a MXN$3.000. Por estarmos acompanhados de um guia, que pagamos previamente, os vendedores desistiam da abordagem.
Nos recomendaram cuidado no metrô, especialmente com batedores de carteira. Segui os mesmos cuidados que sigo ao andar de metrô em São Paulo, com mochila na frente e documentos e celular bem guardados. Também não tivemos problema nenhum.
Confesso que me senti mais seguro na Cidade do México do que em São Paulo. Havia muito policiamento na região que estávamos e andamos sempre com muito cuidado. Segundo o Sr. Sérgio, a Cidade do México está mais segura que outras cidades, como Cancun e Guadalajara. Mesmo assim, é melhor não arriscar e tomar os cuidados que tomamos ao andar em qualquer cidade grande.
Conclusão
Adoramos a Cidade do México. Não consegui experimentar todas as comidas que eu gostaria (especialmente o Mocajete) nem visitar todos os pontos turísticos que eu queria (como a casa da Frida). É uma boa justificativa para a próxima viagem, mas dessa vez vou manter o visto americano de todo mundo válido.