Imagem do rosto de Ellie. Seu rosto está machucado
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Minhas impressões de The Last of Us 2 (sem spoilers)

Meu objetivo nesse texto é contar o que me agrada nesse jogo sem dar detalhes do enredo, além de contar um pouco sobre o quanto gosto de jogos com uma história bem contada.

Uma breve introdução

Eu sempre gostei de jogos com um bom enredo. Os jogos infinitos do Atari 2600 sempre me incomodaram. Pitfall, Enduro e River Raid não me davam muito prazer em jogar. Por isso mesmo o Adventure me encantou. Era um jogo simples, onde um quadrado poderia ser um cavaleiro medieval que precisava levar o seu cálice brilhante de volta ao seu castelo.

Os anos foram passando e os jogos evoluindo. Da geração PlayStation me identifiquei com as franquias God of War e Resident Evil, por uma série de motivos, mas principalmente pela história.

God of War trazia para as telas a história da mitologia, com Deuses e Titãs sofrendo nas mãos de Kratos. O jogo trazia uma grande variedade de adversários, como Medusas, Grifos e Minotauros que eram mortos com muita violência pelo protagonista.

Já em Resident Evil a história era mais simples e cheia de reviravoltas. Existia uma grande história do vírus mortal que passava por toda franquia mas cada título tinha suas peculiaridades. Os desafios e puzzles eram complexos e faziam o jogador rodar todo o cenário em busca de combinações de itens. Foi um dos primeiros jogos que me fez saltar do sofá com os jump scares de zumbis. Do melhor para o pior, na minha opinião, são RE 2, 7, 3, 1, 4, 5 e 6.

Chegando em The Last of Us

Quando joguei o primeiro game da franquia fiquei encantado. A relação de Joel e Ellie era incrível, apesar de todos os defeitos dos dois. Em um final muito bom o primeiro jogo foi encerrado, deixando aberta a possibilidade de continuação.

Jogar o segundo game da série foi muito bom por poder reencontrar personagens cativantes, como Joel, Ellie e Tommy mas também por conhecer os novos personagens que nos foram apresentados. E esses personagens tem um grande papel no desenrolar da história. Lembre-se que esse jogo é muito violento e muitos personagens sofrem bastante. E nos fazem sofrer também.

É difícil falar sobre a história sem contar algo que comprometa sua experiência, mas o que posso dizer da história é que ela é muito bem amarrada. O charme da história está nos detalhes de cada personagem. A evolução de Ellie e Joel e as características fortes de personagens novos tornaram a história de The Last of Us 2 algo muito próximo de um filme interativo. O que posso contar é que o game é uma história de ações e consequências que cada pessoa tem que lidar.

A jogabilidade não mudou muito, o que torna o jogo em determinados momentos repetitivo (espreita e finalização) mas acho que tudo isso faz parte do intuito de nos fazer prestar atenção aos detalhes, tanto da história quanto do cenário. Em determinados momentos enfrentamos inimigos mais complexos e temos formas diferentes de passar por certos desafios. Os sustos continuam presentes, mas como o jogo é longo você nunca está pronto para alguém saltar sobre você.

Esse é um jogo no qual as cutscenes são fundamentais. Pular uma cena significa correr o risco de perder algo importante para a história. Sem elas The Last of Us 2 perde muito da sua essência. Alias, se quiser assistir um gameplay só com o enredo do jogo, você pode ver esse compilado de mais de oito horas de cenas e diálogos (esse vídeo é spoiler puro! Cuidado!).

A modelagem do cenário é um show a parte. A riqueza de detalhes é impressionante. Dá para ver as veias na testa de personagens e painéis de carros destruídos nas ruas. Certas interações com o cenário geram reações, como ao passar por árvores cobertas de neve elas se movimentam e derrubam a massa branca no solo.

É importante lembrar que esse é um jogo para adultos. Não só pela violência mas pelos temas que são abordados. Outro dia ouvi alguém falar que para jogar precisa de maturidade, para entender a profundidade da história. Concordo plenamente com essa afirmação. Se está buscando ação, como em um GTA ou COD, melhor não jogar The Last of Us 2. O jogo não tem correntes de fogo saindo das mãos de Kratos nem puzzles complexos como Resident Evil, o que pode deixar alguns jogadores entediados. Nesse jogo tudo caminha para colaborar com o desenrolar da trama.

O jogo também aborda questões muito importantes e atuais. Além de ter mulheres fortes como grandes protagonistas, o game também trata sobre preconceito, homossexualidade e valores que são colocados a prova a todo instante. O bem e o mal não são tratados como antagonistas. Estão presentes nas ações e julgamentos de cada personagem.

A versão dublada em português também está ótima! Além de manter as vozes dos principais personagens os intérpretes dos novos também surpreenderam. O destaque fica para a dublagem da Ellie, feita pela Luiza Caspari. Ela fez com maestria a transição da voz de criança de Ellie do primeiro jogo para um tom mais adulto e sofrido nesse segundo. Para entender o quanto ela foi a fundo no personagem, assista esse vídeo da interpretação da Luiza da música Through The Valley, que Ellie aparece tocando em um dos primeiros traillers do jogo.



Em diversos momentos me senti tenso, triste e com raiva dos protagonistas. Faz parte. Esse me parece ser o objetivo do jogo. Nos envolver na história, torcer e jogar com ímpeto com cada personagem. É um jogo que mexe com nossos sentimentos e nos faz sofrer junto com quem está na tela. Enfim, adorei esse jogo. Considero como um dos melhores que já joguei. Uma forma incrível de contar uma história difícil com personagens fortes.